Mente

Burnout: Sintomas, tratamentos e impacto na vida pessoal

O burnout é tratado como um problema de trabalho, mas seus efeitos raramente ficam só no escritório — eles chegam às relações, ao corpo e à vida inteira.

13 de agosto de 2026 · 6 min de leitura

Burnout: Sintomas, tratamentos e impacto na vida pessoal

O que é burnout?

O burnout costuma ser tratado como um problema profissional, afinal, costuma ser resultado de uma situação de trabalho desgastante, seja por uma alta competitividade ou grande responsabilidade — algumas vezes os dois juntos.

Mas apesar de ser uma doença — sim, o burnout é considerado uma doença ocupacional desde 1 de janeiro de 2022 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no CID-11, com o código QD85 —, é possível dizer que seus efeitos raramente permanecem apenas no trabalho.

Principais sintomas do burnout

De acordo com um artigo publicado no site Einstein, alguns dos principais sintomas tendem a ser:

  • Dores pelo corpo
  • Cansaço
  • Falta de interesse
  • Irritabilidade
  • Tristeza profunda
  • Exaustão emocional
  • Distanciamento das relações pessoais

Agora, imagine uma pessoa que carrega todos esses sintomas e tantos outros que costumam fazer parte do esgotamento. Como a vida pessoal dessa pessoa passa a se tornar?

O impacto na vida pessoal

As relações humanas já são algo complexo por si só — como disse Virginia Woolf, escritora britânica, "De tudo que existe, nada é tão estranho como as relações humanas, com suas mudanças, sua extraordinária irracionalidade." Para uma pessoa que sofre de burnout, até mesmo conversas simples passam a exigir esforço, mensagens passam a não ter resposta, convites são recusados não por falta de vontade, mas por falta de energia. Até relacionamentos com pessoas de profunda afeição podem se tornar cansativos, exaustivos, como se a famosa "bateria social" não existisse mais.

Para o mundo lá fora, muitas vezes a pessoa que sofre da doença é vista como alguém que está se tornando frio, distante e irritadiço, quando, na realidade, está tentando sobreviver com recursos emocionais limitados, cansada demais por se sentir sobrecarregada e em estado de alerta constante, se pressionando para ficar bem e acreditando ser incapaz de manter a vida em ordem.

O resultado é um efeito silencioso: amizades enfraquecem e passam a ficar distantes a ponto de se perderem; conflitos aumentam, com a impaciência e o aumento da irritabilidade o pavio vai ficando mais curto, e as relações afetivas mais íntimas passam a carregar um peso que nunca existiu. Pequenos gestos e frases que normalmente não significam nada passam a ser "a última gota", gerando cada vez mais discussões que normalmente não existiriam ou seriam resolvidas de forma leve.

O burnout não rouba apenas produtividade.

Ele rouba presença.

Como a "síndrome do esgotamento" afeta o outro?

Quando falamos de um relacionamento amoroso, seja um casamento ou não, com esse desbalanceamento na relação o outro passa a ficar sobrecarregado, tendo que "compensar" o emocional da relação.

É preciso agora tomar mais cuidado com o tom de voz, a falha na interpretação passa a ser constante e, com menos ânimo, a pessoa que sofre da doença passa a se tornar mais reclusa. As brincadeiras, os passeios e os momentos de prazer passam a ser mais uma tarefa na interminável lista; estando no "modo sobrevivência" e fazendo o mínimo, é comum que se perca a autoestima, a libido e o interesse em manter o relacionamento.

No fim, ambos estão no limite, buscando uma solução para um problema que provavelmente não surgiu da relação entre si, mas de um fator externo.

O que fazer para se recuperar de um burnout?

Se recuperar costuma exigir algo que o próprio esgotamento nos impede de fazer: descansar sem culpa.

O primeiro passo é o mais importante e também o mais difícil: aceitar que você não conseguirá resolver a situação sozinho. É necessário buscar ajuda de um profissional — apenas ele conseguirá fazer o diagnóstico e sugerir o melhor tratamento.

Mas, entre as principais abordagens, podemos destacar:

  • Terapia: com foco em comportamento, para "ensinar" o paciente a lidar com o estresse e os pensamentos negativos e a identificar padrões;
  • Medicação: em casos considerados mais graves, o uso de medicamentos é avaliado como um auxílio ao apoio psicológico;
  • Exercícios físicos: a prática de atividades físicas já se provou eficaz para a melhora do comportamento mental, como publicado no portal Dr. Drauzio Varella;
  • Autocuidado: que inclui uma alimentação saudável e regular, sono adequado (higiene do sono) e técnicas de relaxamento, que variam de pessoa para pessoa.

CompartilharWhatsAppInstagram

Continue lendo